sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sociologia

    Por volta de 1660, com o fim da era Cromwell e a restauração da monarquia,
dois mundos distintos caracterizavam a Inglaterra: um tradicional, de natureza agrária,
em que a ascensão social se fazia por uma escada essencialmente feudal e cujo último e
supremo degrau era o apadrinhamento da Corte; o outro, emergente, representado por
uma nova classe em desenvolvimento, sem conexão com a realeza, nem com a Igreja
    Estabelecida (Anglicana), e menos ainda com as tradições agrárias. Este novo mundo
buscava a salvação nos negócios e em certo tipo de calvinismo. Seu habitat era
urbano. O conflito não se expressava mais pela força das armas como o fora na Guerra
Civil, mas nem por isso se fazia menos presente.
    Para os homens de ofício e negócios, conhecidos como dissidentes em relação à Igreja
oficial, a restauração da monarquia e do Anglicanismo ameaçava sua importância
enquanto seres humanos, derivada para eles não do status social ou da terra, mas do
pertencimento ao que consideravam “a verdadeira fé”.
    O fim do século XVII e o início do XVIII foi um momento de crise de valores à escala européia. Atacaram-se velhas superstições; questionou-se a autoridade das escrituras; aumentou o número dos que defendiam uma separação entre o religioso e o moral... As primeiras críticas aos grandes sistemas visaram a escolástica de inspiração aristotélica; mais tarde, repudiaram-se as formulações de Descartes, Gassendi e Newton, colocando-se no seu lugar "o espírito sistemático" da Enciclopédia.

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